O sabor da nossa história: quando diferentes culturas se encontram à mesa

Como a colonização alemã, italiana e portuguesa na Serra Gaúcha deu origem ao conceito de Café Colonial, e por que setembro é o mês ideal para viver essa tradição.

Setembro tem um sabor especial no Rio Grande do Sul. É o mês em que o estado inteiro veste a pilcha, prepara o chimarrão e celebra a Semana Farroupilha, que relembra a Revolução Farroupilha e reafirma, ano após ano, o orgulho de ser gaúcho. 

Mas a identidade gaúcha nunca foi feita de uma coisa só. Ela nasceu, e continua sendo construída, do encontro de culturas diferentes que, ao longo de gerações, aprenderam a dividir a mesma terra, a mesma história e, principalmente, a mesma mesa. É esse encontro que contamos todos os dias aqui no Bela Vista.

A Semana Farroupilha acontece anualmente entre os dias 13 e 20 de setembro e mais do que datas e desfiles, é durante este mês que a cultura gaúcha ganha ainda mais força: música, dança, gastronomia e tradição se encontram nos acampamentos, nos CTGs e nas rodas de chimarrão espalhadas pelo estado.

O que poucas pessoas param para pensar é que essa própria identidade gaúcha (tão associada ao campo, ao cavalo, à bombacha) é resultado de diferentes encontros. E na Serra Gaúcha, região onde fica o Bela Vista Café Colonial, este encontro ganhou um capítulo próprio, escrito por imigrantes que chegaram décadas depois da Revolução Farroupilha e trouxeram consigo outras tradições, outros sabores e outro jeito de receber.

Ao longo do século XIX, colonos alemães começaram a subir a serra, seguidos por famílias italianas, em uma região por onde tropeiros portugueses e açorianos já passavam havia tempos. Vieram de longe e trouxeram na bagagem o que tinham de mais valioso: as receitas de casa. Embutidos, queijos, massas, pães e cucas passaram a fazer parte do dia a dia de cidades como Gramado e Canela, e com eles um jeito de receber com muita fartura e nenhuma pressa. 

A prova de que o encontro deu certo está até no jeito de falar da Serra. Cuca vem de Kuchen, que em alemão quer dizer bolo. A schmier, aquela geleia escura que se passa no pão, veio junto e manteve o mesmo nome. Ninguém por aqui considera essas palavras estrangeiras, elas chegaram com o cheiro do forno e ficaram. E o nome “café colonial”? Vem da colônia, nome que se dava às terras onde os imigrantes se instalaram e trabalhavam. Café colonial é, ao pé da letra, o café da colônia. O que se servia a quem aparecia na casa dos colonos, geralmente sem aviso e sem hora marcada. 

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Foi dessa combinação entre a cultura germânica, a italiana e a portuguesa, somada à hospitalidade que já fazia parte do jeito gaúcho de ser, que nasceu o conceito de Café Colonial: uma mesa em que cada prato carrega a assinatura de uma origem diferente, mas todas contam a mesma história.

Sentar à mesa do Bela Vista Café Colonial é, de certa forma, atravessar a história da colonização da Serra Gaúcha sem sair do lugar. Nos pães artesanais e nas cucas, está a herança alemã. Nos doces e nas conservas, a influência italiana. Nas receitas passadas de mãe para filha, o cuidado que também é, à sua maneira, muito gaúcho, presente em receber bem, sem pressa, com a mesa sempre pronta para quem chega.

Esse encontro, aliás, não é assunto encerrado no século passado. Boa parte do que chega à mesa continua vindo das propriedades rurais aqui de Gramado. A fruta que vira schmier, os queijos, as bebidas… A colônia segue presente no café colonial. Desde 1980 são mais de 80 variedades servidas por aqui, número que a casa faz questão de manter. Afinal, em uma mesa assim, ninguém precisa escolher entre a cuca alemã e o salame da colônia. Fique com os dois, e ainda sobra espaço para a torta fria. 

Com o tempo, a mesa também virou ponto de encontro de família. São os avós que trazem os netos e os netos que um dia vão trazer os seus filhos; são as famílias que voltam todo ano, na mesma época, e pedem a mesma mesa de sempre. Receita boa alimenta não só pessoas, mas também lembranças.

Setembro é, por tradição, o mês em que o Rio Grande do Sul celebra quem é. E não existe jeito melhor de entender a cultura gaúcha do que reconhecer todas as histórias que a formaram e encontraram na Serra Gaúcha um novo lugar para florescer.

No Bela Vista, essa mistura de culturas continua viva em cada mesa posta. Se você está em Gramado ou Canela neste mês, venha viver de perto essa história que começou em 1972 e que, a cada visita, ganha um novo capítulo: o seu!