Por que o café colonial é o programa certo para celebrar a data?
Pense na última vez em que a sua família passou uma tarde inteira reunida, sem ninguém olhando o relógio. Provavelmente faz mais tempo do que você gostaria.
O Dia dos Pais costuma se resumir a um almoço. Meio-dia, restaurante cheio, cada um com o seu prato e a conta chegando junto com a sobremesa. Às duas da tarde todo mundo já está no estacionamento se despedindo. Foi bom, carinhoso mas ainda assim ficou faltando alguma coisa.
O que faltou? Mais tempo. Porque as lembranças que a gente carrega quase nunca vêm de um acontecimento grande, elas vêm daquela tarde que se esticou sem querer, em que a conversa mudou de assunto três vezes e alguém contou de novo uma história que a família já sabia de cor. Boas memórias precisam de tardes compridas e nenhuma pressa.
O próprio café colonial nasceu de um jeito de receber, sempre com afeto e calma. Pensado para as pessoas ficarem e a conversa render, sem ninguém levantar cedo da mesa. É uma refeição que mantém as pessoas juntas, e talvez não exista nada mais parecido com o que você quer oferecer ao seu pai neste domingo.
Por aqui, tudo fica no centro da mesa e todo mundo estica o braço para a mesma travessa. Em algum momento ele vai apontar uma cuca e dizer que você precisa provar aquela, e você vai provar, porque com pai é assim. Em casa, essa data quase sempre deixa alguém preso na cozinha, longe da conversa que está acontecendo na sala. Aqui não. E aquele pai que sempre serviu os outros primeiro, que confere o prato de todo mundo antes de olhar para o próprio, finalmente pode só sentar e ser cuidado.
O Bela Vista serviu o primeiro café colonial do Brasil, em 1972, na Avenida das Hortênsias. São mais de 80 delícias que chegam à mesa: pães saindo do forno, cucas, bolos, tortas coloniais, salgados, queijos, geleias e os doces clássicos da casa. As bebidas vêm junto, com vinho, suco, café e chocolate quente incluídos. Quando um item acaba, a equipe repõe. Sem aquele instante em que os pratos são recolhidos e o ambiente avisa, com toda a educação, que está na hora de ir. No Bela Vista, a tarde acaba quando vocês decidirem que acabou.
Em mais de cinquenta anos, muita gente que entrou aqui pela primeira vez de mão dada com o pai voltou adulta, trazendo os próprios filhos pela mão. A cidade pode ter mudado bastante nesse tempo, mas o gesto de sentar todo mundo junto continua exatamente igual. Tradição é fazer de novo. Está nas receitas, claro, e está sobretudo na família que repete o mesmo programa todo ano, até ele deixar de ser uma escolha e virar um jeito de estar junto. Tem gente que marca o café colonial no Dia dos Pais há tanto tempo que já perdeu a conta de quando começou. A data virou memória para essas famílias porque a mesa se repetiu, e porque em toda foto de agosto tem a mesma xícara na mão dele.
O Dia dos Pais será comemorado no dia 9 de agosto, um domingo. Se a família for grande, vale combinar a mesa antes pelo WhatsApp, para não esperar justo no dia em que todo mundo resolveu sair junto. O Bela Vista fica na Avenida das Hortênsias, 3500, em Gramado, com estacionamento próprio.
Daqui a alguns anos, talvez ninguém lembre qual cuca estava na mesa. Mas vão lembrar que ele riu bastante, que a tarde não teve pressa nenhuma e que estavam todos ali.